Terroristas atacaram Namuno atingindo o 13º dos 17 distritos de Cabo Delgado
Os grupos terroristas que a 5 de Outubro de 2017 iniciaram incursões armadas em Cabo Delgado conseguiram, no sábado, 29 de Outubro corrente, alcançar Namuno, o décimo terceiro distrito da província a ser atacado, numa demonstração de força e cumprimento da ameaça que tinham feito sobre a sua capacidade e determinação em chegar onde fosse necessário chegar para a imposição do que eles chamam “sharia”.
A província de Cabo Delgado, segundo se sabe, tem uma divisão administrativa que comporta 17 distritos, tendo os atacantes já entrado e provocado terror em 13.
Portanto, somente Balama, Mecufe, Montepuez e a cidade capital, Pemba, não foram ainda atacados pelos terroristas que parecem decididos a manter a tónica do terror no país, particularmente na região norte, apesar dos significativos esforços que estão a ser desencadeados pelas Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e contingentes amigos do Ruanda e da Missão Militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.
Chegaram de Mahindra e fardados às FADM
A entrada ao distrito de Namuno foi por Murrameia, aldeia fronteiriça com o vizinho Chiúre, no posto administrativo de Hucula. Foi logo pela manhã, cerca das 8 horas.
“Os malfeitores chegaram naquela aldeia numa Mahindra [marca de viatura bastante usada pelas FDS] comunicando uma reunião” – disse uma fonte local, apontando para uma estratégia terrorista que não pudesse levantar suspeita da população, particularmente pela hora da incursão. A descrição da chegada do grupo transportados numa viatura é estranha, tendo em conta que o histórico das incursões já registadas a sul de Cabo Delgado indica movimentações em pequenos grupos, a pé e em regiões bastante recônditas.
O grupo atacante estava rigorosamente uniformizado às Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Entretanto, cumprindo com a necessidade de manter sempre vigilância e por denotar alguns sinais estranhos, a exemplo de chinelos (não botas) e parte de uniformes militares rasgados, algumas pessoas da comunidade suspeitaram. Contactado o administrador distrital sobre a reunião convocada por aquele grupo de supostos militares, houve a confirmação de que o grupo era composto por terroristas. Antes da confirmação de serem terroristas, o administrador distrital terá contactado o comando distrital das Forças de Defesa e Segurança. Nisto, sinal de fuga foi dado, mas porque os terroristas aí já estavam, algumas pessoas foram mortas por disparos quando tentaram fugir.
Dois dos mortos, segundo soubemos, são o chefe da aldeia e sua esposa. Eles foram decapitados. Além das mortes, cujo número ainda não pudemos apurar, o grupo incendiou um tractor pertencente a associação local de camponeses, queimou residências e a escola local. Informação de uma fonte local descreve Hucula como aldeia de Namuno rodeada por extensas matas. Faz fronteira com Chiúre.
Outros distritos
Com a situação na província a continuar a mostrar uma realidade bastante volátil em termos de segurança, relatos de incursões terroristas em outros distritos continuam, com particular destaque para Nangade, Macomia e Chiúre. Em Nangade voltou-se a falar da aldeia Liche, Namuembe e Mulha. Em Macomia, diz-se que os terroristas voltaram a atacar Nguida, tendo pilhado diversos animais domésticos. Imagens que circulam demonstram a população local e estudantes do Instituto Agrário de Bilibiza, transferido de Quissanga para Chiúre, a fugirem em direcção ao posto administrativo de Ocua e depois para a sede distrital [de Chiúre].
Texto co-produzido com a Zitamar News, no âmbito do projecto Cabo Ligado, em parceria com a ACLED