Situação de segurança volta a sair do controlo em Cabo Delgado
Desde que a descida para o sul, partindo do Posto Administrativo de Mucojo, distrito de Macomia, iniciou, nos primeiros dias de Janeiro deste ano, a situação de segurança na província de Cabo Delgado tem estado a deteriorar-se de forma dramática, com circulação cada vez mais intensa de grupos terroristas, promoção de reuniões com a população, ataques a viaturas particularmente na N380,raptos, decapitações e anda os ataques a posições das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique.
A incidência dos ataques a posições militares está em Mucojo, Macomia, um distrito que as forças moçambicanas sempre reconheceram estar a enfrentar dificuldades para repor a ordem e segurança.
O último ataque do grupo a uma posição militar teve lugar exactamente em Mucojo. Várias fontes, incluindo de Macomia sede e Pemba, relatam o ataque, que teve lugar na transição de sexta-feira para sábado.
Apesar de não haver dados precisos sobre as consequências, o aspecto que parece consensual entre as fontes é de ter sido um ataque mortífero e com muitas baixas do lado das Forças de Defesa e Segurança, que tentavam reerguer a posição que tinha sido por eles abandonada em meados de Janeiro último, igualmente por conta da intensa ameaça de ataque terrorista.
Os canais de propaganda do Estado Islâmico falam de terem sido mortos e feridos 20 militares, números que não conseguimos apurar a sua veracidade. Diz a nota deste grupo, que se tratou de um “violento ataque” protagonizado pelos soldados do Califado.
Fontes locais falam, igualmente, de os grupos atacantes terem lá içado a sua bandeira. Ou seja, a bandeira do Estado Islâmico. Como que a confirmar o ataque à posição de Mucojo, fontes de Macomia-sede relataram a chegada, sábado e domingo, de militares na vila distrital, idos da zona atacada. O que se diz é que os terroristas continuam em Mucojo.
Na tarde deste domingo, fontes de Macomia sede relataram filas bastante longas de carros, que estão impossibilitados de fazer o trajecto Macomia ao cruzamento de Silva Macua.Aliás, contactado pela rádio Zumbo fm, o administrador distrital de Macomia, Tomás Badae, confirmou o ataque, mas não aceitou avançar detalhes, alegando falta de comunicações entre Macomia-sede e Mucojo.
Intensa circulação em vários pontos
De novo, a população de várias aldeias de Cabo Delgado está com as suas trouxas em mão à busca de um local que comparativamente seja melhor do que as zonas que têm estado a ser “visitadas” nos últimos dias.
Do que se considera “intensa circulação”, os grupos têm estado a ser vistos em Quissanga, Meluco, Ancuabe e Chiúre, isto na parte sul da província. Nas aldeias destes distritos, os grupos percorrem por vários pontos e em alguns casos reúnem-se com a população, sem provocar danos humanos.Entretanto, circulam informações de que na aldeia Mazeze, distrito de Chiúre, os terroristas terão queimado casas e uma igreja. Depois seguiram em direcção ao rio Lúrio, onde se acredita que tenham tomado a direcção de Chiripa, distrito de Memba, província de Nampula.
Polícia pede reforço da vigilância
Por conta da difícil situação de segurança que voltou a tomar conta de Cabo Delgado, a Polícia da República de Moçambique naquela província esteve reunida, na manhã deste domingo, com a população do bairro de Paquite, na cidade de Pemba.
O comandante da Polícia da República de Moçambique naquela província, Assane Fiquir Nito, que orientou a reunião, pediu que a população redobre a acção de vigilância na zona face aos últimos movimentos terroristas, que de Mucojo desceram à região sul e parece estarem, actualmente, nas cercanias da cidade capital.
Recordando que Paquite foi o ponto de chegada de muitos deslocados a Pemba, deu a conhecer que a situação poderia ser aproveitada pelos terroristas para se infiltrarem junto da população e criar distúrbios. “Então, vamos ser vigilantes população. Vamos ser vigilantes. O bem-estar social do bairro de Paquite depende de nós. Aquele do outro bairro não pode sair para vir fazer patrulhamento e vigilância no bairro de Paquitequete. Não é possível.
Então somos nós residentes deste bairro que podemos fazer o máximo. Vigilância. É isso que viemos pedir à população. Deve haver uma colaboração entre a Policia e as comunidades. Sem informação da população, a Policia não pode fazer nada” – disse o comandante provincial, reiterando que é importante que a população colabore (Redacção)
Texto co-produzido com a Zitamar News no âmbito do projecto Cabo Ligado, em parceria com a ACLED.
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