Saga assassina e destruidora continua em Cabo Delgado

Nos últimos seis dias, os terroristas protagonizaram ataques as aldeias de Ntontwe, Chinda, Chibanga, Chibau, Litamanda e Ulo, e mais tarde seguiram-se ataques a Chai, 5º Congresso, Mahate e Manila. São aldeias de Mocímboa da Praia, Muidumbe, Macomia e Quissanga. Nas últimas nas últimas 24 horas, os terroristas atacaram uma posição da UIR em Macomia.
8 Janeiro, 2024

Ataques constantes e simultâneos a aldeias e a posições militares, decapitações, destruição de palhotas através de fogo, raptos de civis, roubo e vandalização de diversos bens da população, Forças de Defesa e Segurança (FDS) desarticuladas do ponto de vista de estratégia a seguir, troços rodoviários novamente interditos e população em pânico e com trouxas novamente arrumadas para buscar, de novo, por locais seguros, é a descrição que se pode fazer dos últimos dias nas regiões centro e norte de Cabo Delgado.

Esta é uma realidade que retorna exactamente quando se está a espera que a TotalEnergies decida, até ao fim deste semestre, se levanta ou não a cláusula de força maior e reinicie a instalação da infra-estrutura de liquefação de gás no projecto da área 1, em Afungi, distrito de Palma. A actual acção assassina do grupo é completamente diferente do cenário que se assistiu durante muito tempo, em que os grupos tentavam promover um ambiente de aparente concórdia e pacifismo nas aldeias por onde passassem.

Tal como o mediaFAX fez menção nas últimas edições, os terroristas lançaram novamente uma saga assassina em Cabo Delgado, com ataques múltiplos e simultâneos nos distritos de Macomia, Muidumbe e Macímboa da Praia, em cumprimento, à risca, da campanha assassina globalmente lançada pelo Estado Islâmico, ao longo da semana passada.

Denominada “matem-nos onde quer que os encontrem”, a campanha prevê a intensificação dos ataques em todo o mundo, incluindo em Moçambique. Foi declarada através de uma mensagem áudio do porta-voz oficial do Estado Islamico, Abu Hudhayfah al-Ansari, na sequência dos atentados suicidas perpetrados na quarta-feira passada no Irão pela filial afegã do EI, que mataram pelo menos 84 pessoas.

Pouco antes do lançamento da campanha, a actividade terrorista em Cabo Delgado estava a demonstrar algum robustecimento e ousadia ao voltar a mover incursões contra posições fixas e patrulhas das Forças de Defesa e Segurança, com baixas assinaláveis no seio das forças moçambicanas. Eram sinais de retoma depois de tempo considerável na defensiva, diante de acções consideradas enérgicas das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, com apoio das forças amigas da região e do Ruanda.

O primeiro grande sinal de retoma foi o ataque à posição das Forças de Defesa e Segurança instalada nos arredores do lago Inguri, aldeia de Miangalewa, distrito de Muidumbe, nos primeiros dias de Dezembro do ano passado. Pelo menos cinco militares perderam a vida naquele ataque.

Seguidamente, várias outras posições militares foram atacadas, particularmente nas aldeias de Macomia, distrito que sempre foi considerado um grande desafio nas acções de restabelecimento da ordem em Cabo Delgado.

Já com a campanha “matem-nos onde quer que os encontrem”, os terroristas já promoveram, só nos últimos cinco dias, pelo menos uma dezena e meia de ataques, demonstrando requintes e um ADN que consiste em semear dor e terror no seio das comunidades, mas também no seio das Forças de Defesa e Segurança. Matam, raptam, incendeiam palhotas, pilham bens da população e destroem tudo que encontram pela frente, um comportamento que não era visto há muito tempo em Cabo Delgado, particularmente quando entrassem em contacto com civis.

Depois dos ataques a Ntontwe, Chinda, Chibanga, Chibau, Litamanda e Ulo, seguiram-se ataques a Chai, 5º Congresso, Mahate e Manila. São aldeias de Mocímboa da Praia, Muidumbe, Macomia e Quissanga. Já nas últimas 24 horas, os terroristas atacaram novamente a aldeia 5º Congresso, assim como a posição da Unidade de Intervenção Rápida instalada naquele ponto do distrito de Macomia. Há relatos não confirmados de o grupo ter conseguido “arrancar”, mais uma vez, quantidades consideráveis de material bélico.

Os canais de propaganda do Estado Islâmico fazem questão de dar a conhecer que os ataques em aldeias e posições militares estão a ter lugar no âmbito da campanha “matem-nos onde quer que os encontrem”.

O actual cenário acontece, igualmente, numa altura em que as forças amigas da SAMIM estão prestes a iniciar a desmobilização, tendo em conta que o seu mandato termina em Junho próximo. Não se sabe se a actual escalada de violência extrema abrirá espaço para nova extensão de tempo de permanência dos soldados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.

População em fuga

Com a situação a deteriorar-se de forma rápida e progressiva, a população das aldeias atacadas está em fuga para as vilas distritais, apesar de apelos das autoridades no sentido de elas manterem-se nas aldeias na promessa de devolução da segurança.

Enquanto estas fogem para as vilas, no território municipal de Mocímboa da Praia os residentes, particularmente funcionários públicos, tentam também sair para a cidade de Pemba e Mueda. É que, com os ataques que estão a ter lugar há pouco menos de 15 quilómetros da sede distrital, a população receia que, mais uma vez, o grupo terrorista esteja decidido a capturar aquela vila. Aliás, o receio da população é agudizada pelo facto de rusgas das Forças de Defesa e Segurança em algumas residências da vila estarem a detectar esconderijos de armas de fogo.

Entretanto, as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e do Ruanda não estão a deixar ninguém sair. Ou seja, querem que a população continue na vila no âmbito das acções de restabelecimento da vida na região. A promessa é que a vila está segura e não será atacada. Aliás, nisto, relata-se o aumento de unidades militares ao longo das principais vias que dão acesso à vila municipal.

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