Resumo Semanal: 28 de Novembro-4 de Dezembro de 2022 — Cabo Ligado

As forças de segurança de Moçambique e a Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) em Moçambique (SAMIM) sofreram perdas pesadas na semana passada.
7 Dezembro, 2022

As forças de segurança de Moçambique e a Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) em Moçambique (SAMIM) sofreram perdas pesadas na semana passada. A 28 de Novembro, cinco militares das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) foram mortos numa emboscada perto de Miangalewa, na fronteira entre os distritos de  Muidumbe e Macomia. Um comandante da polícia e sua família foram emboscados e mortos perto do mesmo local a 20 de Novembro, possivelmente pelo mesmo grupo de insurgentes. A 4 de Dezembro, o serviço de notícias afiliado ao Estado Islâmico (EI), Amaq, publicou um vídeo exibindo armas e munições supostamente capturadas em um ataque recente em Muidumbe, possivelmente referindo-se a Miangalewa. A exibição inclui grandes quantidades de espingardas de assalto, metralhadoras leves e granadas propelidas por foguetes. O próprio EI fez uma reivindicação no mesmo dia para o ataque de 20 de Novembro. 

A 30 de Novembro, SAMIM reconheceu num comunicado que tinha perdido dois soldados – um da Tanzânia e um do Botswana – num confronto com insurgentes perto de Nkonga, no distrito de Nangade, a 29 de Novembro (ver Foco Semanal abaixo). Outro soldado tanzaniano ficou ferido e foi levado para o hospital da SAMIM em Pemba. No final do comunicado, SAMIM disse ainda ter morto 30 insurgentes em resposta e apreendido “um número considerável de armas, munições e equipamentos”. A se confirmar, este seria um dos maiores números de insurgentes mortos num único confronto desde o início do conflito e seria um grande golpe para sua capacidade operacional naquela área. Nenhuma fonte independente foi capaz de verificar esta afirmação até agora.

Mais tarde, a 2 de Dezembro, SAMIM e a Força de Defesa de Botswana (BDF) emitiram declarações admitindo que um major das BDF disparou e matou uma soldado, e feriu outra, num incidente em Pemba, onde estão estacionados. Os meios de comunicação social do Botswana relataram posteriormente que a mulher morta era a namorada do major; e que o major era casado com outra soldada da BDF, que não estava destacada em Moçambique.

Fontes sugerem que os insurgentes retornaram ao distrito de Namuno quando um homem foi supostamente capturado em sua motorizada perto da aldeia de Maravi, aproximadamente 50 km ao sul da vila de Namuno, a 30 de Novembro. Sua motorizada foi incendiada e ele foi espancado, mas mais tarde libertado e instruído a dizer à aldeia que os insurgentes estavam vindo atrás deles – uma estratégia comumente usada pelos insurgentes para espalhar o medo e o caos. A milícia Naparama foi despachada para perseguir o grupo. 

Os Naparama, que surgiram em Namuno no início de Novembro, tornaram-se atores proeminentes no conflito nas últimas semanas. Um relato não confirmado da emissora estatal moçambicana TVM afirmou que os Naparama mataram recentemente 11 insurgentes e feriram outros seis no distrito de Balama. A TVM também informou que o primeiro secretário da Frelimo em Cabo Delgado se reuniu com representantes dos Naparama e os apelou a trabalhar em colaboração com as forças de segurança do governo, o que pode envolver postos de controlo de viajantes, revista de carros e verificação de identidade. 

Isso sugere que os Naparama estão a ser cooptados não apenas para combater a insurgência, mas também para fazer justiça com aparentemente pouca responsabilidade. A 23 de novembro, os Naparama capturaram um suposto insurgente e queimaram o seu corpo diante de uma multidão em Mirate, distrito de Montepuez. A 30 de Novembro, uma fonte não verificada informou que os Naparama mataram três civis em algum lugar de Montepuez após serem denunciados como assassinos por uma mulher local. No distrito de Namuno, as pessoas queixaram às autoridades sobre os maus-tratos de Naparama nos postos de controle rodoviário. Tais incidentes levantam o espectro de mais violência do tipo vigilante, o que provavelmente complicará ainda mais os esforços para estabelecer uma segurança e policiamento eficazes nas comunidades afectadas. O comandante provincial da Polícia de Cabo Delgado, Vicente Chicote, também alertou na semana passada que os grupos Naparama podem estar vulneráveis à infiltração de insurgentes. 

No distrito de Chiúre, as autoridades detiveram 28 jovens por suspeita de tentarem aderir à insurgência depois de terem sido encontrados a atravessar o rio Lúrio da província de Nampula para Cabo Delgado, segundo a Carta de Moçambique. Os detidos, oriundos dos Nacala e Memba, alegaram que se deslocavam a Mocímboa da Praia para trabalhar como pescadores. O porta-voz da polícia da província de Nampula, Zacarias Nacute, disse que os jovens não iriam enfrentar acusações, e seriam devolvidos às suas famílias por terem estado “no processo de recrutamento” e não “na linha de fogo”.

E em Pemba, um grupo de jovens foi detido na semana passada depois de aparentemente ter instalado uma escola religiosa muçulmana numa casa da cidade. A polícia foi alertada pelos vizinhos e disse que os homens estavam a estudar o Alcorão quando invadiram a casa. Os 15 homens, com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos, são provenientes de várias localidades de Cabo Delgado e um de Nacala, na província de Nampula. Um havia retornado recentemente a Pemba depois de ter estudado Alcorão no Sudão.

O proprietário da casa onde funcionava a madrassa também foi detido por não ter informado a polícia. Para além da óbvia adesão dos suspeitos ao Islã, a polícia diz tê-los encontrado na posse de algumas roupas militares, bem como mochilas que a polícia também afirma serem suspeitas. Os 15 negam qualquer envolvimento com a insurgência, mas o caso é claramente indicativo do nível de paranoia em Pemba, não só entre a polícia mas também entre os residentes locais.


Este artigo é excerto do Cabo Ligado Semanal, uma colaboração do Zitamar News, MediaFax e ACLED.

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