Resumo da situação

As forças de segurança têm tentado recuperar a iniciativa desde o início de Abril, lançando uma ofensiva na costa de Macomia, controlada pelos insurgentes, em torno da vila de Mucojo. Entretanto, o Estado Islâmico de Moçambique (EIM) matou pelo menos quatro pessoas no distrito de Quissanga, com o fim do Ramadão a assinalar provavelmente um recrudescimento da actividade insurgente.
19 Abril, 2024

No dia 2 de Abril, os insurgentes montaram um bloqueio na estrada para Mucojo, onde continuam a impor uma forma rígida de governo islâmico, incluindo a proibição do álcool e o jejum obrigatório durante o Ramadão, informou a Carta de Moçambique. Quatro dias depois, a Força Aérea de Moçambique disparou sobre a área a partir de helicópteros, segundo múltiplas fontes. A extensão dos danos infligidos não é clara, mas houve relatos não confirmados de fontes locais de que houve vítimas civis.

Uma aeronave ultraleve Bat Hawk equipada com metralhadoras também esteve ativa nas operações na área. Os Bat Hawks tinham sido usados pela empresa militar privada Dyck Advisory Group (DAG) quando combatia insurgentes em Cabo Delgado entre 2019 e 2021, um dos quais caiu durante uma patrulha. Não há provas de que a DAG ainda esteja a operar em Moçambique. No dia 10 de Abril, o Bat Hawk desapareceu e acredita-se que se tenha despenhado perto de Mucojo. Nesta ocasião, parece que o piloto era um indivíduo contratado, originário da África do Sul, e que trabalhava com a Polícia da República de Moçambique.

No dia 9 de Abril, primeiro dia do Eid al-Fitr, os insurgentes decapitaram pelo menos quatro pessoas na aldeia de Namaluco, no distrito de Quissanga, na fronteira com a área administrativa de Mucojo. As vítimas foram encontradas preparando bebidas alcoólicas, segundo fontes locais. Os insurgentes também raptaram várias pessoas e feriram uma pessoa no ataque.

Os atacantes possivelmente vieram das aldeias de Olumboa e Darumba, na costa de Macomia, por onde foram observados cerca de 100 insurgentes a passar no dia 9 de Abril. No dia seguinte, os insurgentes foram vistos em Cagembe, em Quissanga, e celebraram o Eid com a comunidade local.

No dia 13 de Abril, os insurgentes estavam em Tapara, Quissanga, a sul da aldeia de Bilibiza. Uma fonte local informou que os insurgentes levavam mulheres e crianças a reboque e que fugiam das operações militares, possivelmente em Mucojo. A Lusa noticiou que os insurgentes mataram cinco pessoas e amputaram o braço de outra em Bilibiza, no dia 10 de Abril, mas Cabo Ligado não conseguiu verificar este facto. No dia 14 de Abril, os insurgentes entraram em confronto com uma patrulha das forças de segurança perto da aldeia de Nanduli, no distrito de Ancuabe, antes de se retirarem para a floresta de Pulo. Nenhuma vítima foi relatada até agora.

Outro grupo de cerca de uma dúzia de insurgentes saqueou as ilhas de Quifuque, no distrito de Palma, e Tambuzi, ao largo da costa da vila de Mocímboa da Praia, no dia 10 de Abril. Não houve registo de vítimas, mas casas e lojas foram despojadas de bens básicos.

Os insurgentes também continuam a operar no oeste de Macomia. No dia 7 de Abril, a Força Local em Chai invadiu um acampamento de aproximadamente 50 insurgentes de Mucojo, matando 10 antes de se retirar devido à falta de munições.

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