Resumo da Situação do Cabo Ligado: 8-21 de Julho de 2024

Grupos insurgentes tem sido vistos a atravessar a estrada N380 em direcção a Chai, em Macomia. Acredita-se que eles tenham montado um acampamento a oeste de Chai, que é conhecido por ser um refúgio para a insurgência, já que o terreno é fértil e prático para defender.
25 Julho, 2024

O período abrangido por este relatório começou com um motim sem precedentes contra as Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas em Macomia, no dia 9 de Julho, que resultou na morte de pelo menos dois soldados, cinco de acordo com um relatório, e deixou mais dois gravemente feridos. Os membros das FDS foram atacados por uma multidão depois de um soldado ter matado um comerciante do mercado que saía de casa depois do recolher obrigatório na noite anterior.

O Ministério da Defesa Nacional expressou “profundo pesar” pelo incidente e afirmou que a vítima levantou suspeitas depois de ter sido vista a transportar uma caixa vazia de munições de metralhadora e fugiu ao ser questionada pelos soldados. Segundo o Ministério, ele foi morto acidentalmente quando os soldados tentaram disparar tiros de advertência. Fontes locais disseram que a vítima estava apenas a tentar encontrar um lugar para se aliviar quando foi sumariamente executada. Cabo Ligado sabe que as FDS e o governo local são os únicos prestadores de cuidados de saúde em Macomia, e é possível que algumas das vidas dos soldados pudessem ter sido salvas se houvesse melhores cuidados médicos disponíveis.

As manifestações contra as FDS terão incluído apelos para que se retirassem totalmente de Macomia. Lojas e estabelecimentos comerciais foram encerrados e o trânsito foi suspenso na estrada entre Macomia e Pemba. Fontes locais relataram que as forças de segurança tentaram dispersar a multidão com balas reais, levando as pessoas a fugir para a floresta.

O motim foi o culminar de tensões de longa data entre as FDS e a população local. Em Junho, a Unidade de Intervenção Rápida da polícia foi acusada de extorquir e deter arbitrariamente civis no bairro Nanga A, em Macomia, onde muitos dos manifestantes se reuniram inicialmente após o tiroteio contra o comerciante do mercado.

Os apelos à remoção das FDS surgem apesar da actividade insurgente em curso na região. Uma fonte disse ao Cabo Ligado que uma caravana de insurgentes foi vista a atravessar a estrada N380 em direcção a Chai, em Macomia, por volta de 17 de Julho. Acredita-se que eles tenham montado um acampamento a oeste de Chai, que é conhecido por ser um refúgio para a insurgência, já que o terreno é fértil e prático para defender.

Noutros locais, uma série de confrontos sugere que os insurgentes restabeleceram a sua presença no distrito de Nangade. Os confrontos ocorreram com as forças de segurança em redor da aldeia de Quinto Congresso, aproximadamente 50 quilómetros a leste da vila sede de Nangade, nos dias 11, 12 e 13 de Julho. Pelo menos dois insurgentes foram mortos pelas FDS e pela Força de Defesa do Povo da Tanzânia (TPDF), que perseguiam os insurgentes desde 9 de Julho, segundo uma fonte de segurança. É raro que as TPDF participem em combates. No dia anterior, os insurgentes tinham sido observados alguns quilómetros a norte, perto da aldeia de Chitama. Houve nove incidentes de violência política registados em Nangade este ano, em comparação com quatro em todo o ano de 2023, sugerindo que os insurgentes estão gradualmente a reforçar a sua força no distrito.

A actividade insurgente também persistiu no distrito de Mocímboa da Praia. O Estado Islâmico (EI) afirmou ter capturado e matado um civil perto de Mbau, a 10 de Julho, mas este facto ainda não foi corroborado por outras fontes. A Integrity Magazine informou que “um grande número” de insurgentes foi observado na estrada perto da aldeia de Mangoma, a pouco mais de 10 km da vila de Mocímboa da Praia, no dia 16 de Julho. Três dias depois, os insurgentes persuadiram os residentes da aldeia de Nazimoja a vender-lhes comida, alegando que estavam doentes, segundo a Carta de Moçambique.

A fome também está a tornar-se um problema crítico para os civis em Mocímboa da Praia. O conflito forçou os agricultores a abandonar os seus campos e muitos dependem agora de uma dieta escassa de batata doce e mandioca, informou a ZumboFM. Os deslocados na vila sede de Macomia também se queixam de fome, com alguns correndo o risco de regressar às suas aldeias ameaçadas pela violência dos insurgentes, em busca de alimentos.

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