Quissanga e Quirimba: Terroristas entram e ocupam sem qualquer reacção das FDS

A vila distrital de Quissanga e a ilha Quirimba, esta administrativamente pertencente ao vizinho distrito do Ibo, centro de Cabo Delgado, poderão estar sob controlo de grupos terroristas, de acordo com insistentes relatos que nos têm chegado desde às primeiras horas de sábado.
4 Março, 2024

Os sinais da iminente incursão de terroristas à vila de Quissanga começaram a emergir na sexta-feira, com a chegada do grupo, de novo, à aldeia Mussomero, cerca de cinco quilómetros da vila, o que fez com que parte significativa das autoridades administrativas de Quissanga deixasse o distrito. Efectivamente, logo pela manhã de sábado, relatos de que os insurgentes estavam já na vila de Quissanga foram circulando.

De concreto, soube o mediaFAX, inicialmente, o grupo, tido como bastante reduzido mas devidamente munido de armas do tipo AKM, entrou pelo bairro de Quissanga Praia e, de porta em porta, terão pedido alimentação. Depois houve ainda espaço para uma pequena reunião, na qual o grupo terá deixado claro que nenhum mal faria à população. Que queria somente ter acesso a produtos. “Disseram que queriam comprar comida, mas porque as barracas estavam todas fechadas seriam obrigados a arrombar” – disse uma fonte local.

Efectivamente, nenhum mal foi feito à população civil, mas uma barraca de um grande comerciante local foi arrombado e os produtos saqueados.

Sem qualquer reacção das Forças de Defesa e Segurança (FDS), o grupo terá, ao longo de toda a manhã, passeado de motorizadas ao longo da vila e quando eram cerca de 10 horas retirou-se, levando consigo diversos mantimentos. O destino era a aldeia Mussomero, onde se relata existir um forte e numeroso grupo de insurgentes. Para carregar produtos até Mussomero, o bando teve de capturar cinco jovens. São estes que ajudaram a carregar e transportar os produtos.

Ida e regresso

Estranhamente, apesar de, aos olhos de populares, o número de insurgentes que estiveram em Quissanga naquela manhã ter sido bastante reduzido, não se viu nem se ouviu qualquer sinal de reacção das FDS.

Esta realidade colocou atónita a população porque, dias antes, o distrito tinha recebido um grande contingente de militares. Estes terão saído na noite anterior à chegada dos terroristas à vila de Quissanga.

Com a vila completamente desguarnecida, o grupo regressou à vila mais tarde. Os relatos indicam que no regresso o grupo instalou-se na Escola Secundária de Quissanga. Naquela local, de acordo com fontes, o grupo até confeccionou alimentos e passou refeições. Até ao fecho da presente edição, havia qualquer indicação de algum tipo de confrontação com as FDS.

Travessia para a ilha Quirimba

Naquilo que, localmente se considera “completamente previsível”, à noite, parte do grupo atravessou para a ilha Quirimba, posto administrativo com o mesmo nome, distrito do Ibo. O que se diz é que o grupo chegou à ilha na madrugada deste domingo. Até às quatro horas disparos já eram ouvidos. Entretanto, os tiros não tinham nada a ver com confrontação. Visavam somente dar indicação de que o grupo já estava na ilha.

Tal como em Quissanga, em Quirimba também não houve qualquer sinal da presença das FDS, mesmo se sabendo que a ilha tem um efectivo permanente da Polícia da República de Moçambique. Diz-se que estes, incluindo elementos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) que tinham fugido de Quissanga para Quirimba, esconderam-se juntamente com a população quando o grupo terrorista entrou na ilha.

Segundo se conta, os terroristas, com toda a naturalidade e tranquilidade, foram passeando pela ilha e de casa em casa. Aliás, alguns foram procurando e consultando pelos seus familiares, visto que serem nativos da zona. Diz-se que parte deles foi capturada aquando da primeira invasão terrorista e, ao longo dos últimos tempos, foram assumindo posições de chefia no bando.  

Relatos não confirmados indicam que, pelo menos quatro membros das Forças de Defesa e Segurança terão sido capturados e mortos pelos terroristas. Fala-se de um polícia e três militares.

Os últimos acontecimentos da situação de segurança em Cabo Delgado demonstram um claro recrudescimento das acções dos grupos terroristas, apesar da nega demonstrada pelo ministro da Defesa Nacional, Cristovão Chume. Este associa as últimas incursões com pequenos grupos em fuga da sua grande base, localizada numa das grandes matas de Macomia.

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