Polícia fala da necessidade de usar inteligência que tanto lhe falta

A Polícia da República de Moçambique (PRM) reconhece, implicitamente, que está a enfrentar bastantes dificuldades no combate eficaz e consequente das acções terroristas que, desde Outubro de 2017, fustigam a província de Cabo Delgado. Assim, este sector das Forças de Defesa e Segurança (FDS) reconhece e fala da importância e necessidade de adopção do que considera “nova abordagem operativa”, das quais a necessidade de combater o terrorismo com recurso imprescindível da inteligência.
11 Março, 2024

“Os actos terroristas em alguns pontos de Cabo Delgado e as suas tendências actuais suscitam a necessidade de adopção de uma nova abordagem operativa, mais robusta e eficaz com suporte da inteligência policial” – disse o ministro, falando sábado, na abertura do XXVI Conselho da Polícia da República de Moçambique. Ele reconheceu e acrescentou que “a actual situação no domínio da ordem pública no país aponta para a premente necessidade de aprimoramento de estratégias de prevenção e combate da criminalidade organizada e transnacional, ao terrorismo e à sinistralidade rodoviária”.

O discurso do chefe máximo da Polícia moçambicana não é novo. Os anteriores titulares do cargo já também tinham reconhecido e alertado para a necessidade de se fazer um upgrade para se garantir que haja resultados muito mais concretos nas acções de combate ao terrorismo. Entretanto, fora o discurso, pouco ou nada se vê no terreno, e a falta de inteligência nas acções levadas a cabo é notória.

Várias são as vezes que os terroristas promovem incursões bem sucedidas, cujas características deixam a nu a falta de inteligência por parte das unidades da Polícia da República de Moçambique e das Forças de Defesa e Segurança no geral. Aliás, em relação a outros fenómenos de segurança pública, a exemplos dos raptos e sequestros de cidadãos, aponta-se, igualmente, a falta de inteligência policial para fazer face a estas acções.

Relacionado com a actual e complicada situação que se vive em Cabo Delgado, com relatos de terroristas a voltar a ocupar sedes distritais e a perseguir e a matar agentes das Forças de Defesa e Segurança, o ministro emitiu uma mensagem de força aos agentes na linha da frente. Disse que o sangue dos elementos das FDS não estava a ser derramado em vão.

“O vosso sangue não será e nem é derramado em vão. É por uma causa nobre. A pátria moçambicana” – disse Pascoal Ronda, garantindo que o mesmo seria vingado com a perseguição incessante e sem tréguas aos que promovem desordem e plantam medo e horror no seio da população.

Processo eleitoral

O processo eleitoral que se avizinha, igualmente, mereceu algumas palavras de Pascoal Ronda. Ele falou da necessidade de reflexão sobre as medidas mais adequadas para garantir que o processo eleitoral decorra num ambiente ordeiro.

“Paralelamente, somos chamados a reflectir sobre as medidas mais adequadas para garantir que o processo eleitoral que se avizinha decorra num ambiente ordeiro e de perfeita normalidade em todas as suas fases e em todo o território nacional, com particular atenção à província de Cabo Delgado” – disse o ministro.

Já o Comandante-geral da Polícia, Bernardino Rafael, prometeu que a corporação vai trabalhar de forma isenta sem olhar para cores partidárias e focada na necessidade de garantir um processo que decorra de forma ordeira e pacífica.(Redacção)

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