O que as reportagens fotográficas do EI nos dizem sobre o conflito

O EI deu destaque a Moçambique nos seus canais de comunicação social em Fevereiro. O semanário al-Naba produziu um infográfico das atividades do EIM de 26 de Dezembro a 16 de Fevereiro, enquanto o EI também emitiu treze reivindicações por incidentes durante o mês. Mais incomum ainda, o EI também divulgou cinco reportagens fotográficas separadas ao longo do mês, contendo 94 fotografias. O material apresentado dá-nos pistas sobre a liderança e a importância da ideologia jihadista do EI para o EIM. Ficamos com uma ideia dos números atuais, dos recursos à sua disposição e da relação com as operações mediáticas do EI. Também temos uma ideia das condições em que os militares de Moçambique operam.
25 Março, 2024

Um homem aparece em cada uma das três reportagens fotográficas publicadas pelo EI para cobrir as suas ações em Chiúre durante o mês. Uma fotografia tirada na aldeia de Muirota, a 15 de Fevereiro, a julgar por uma reivindicação anterior do EI de um ataque naquele local, mostra um homem mascarado, em uniforme militar, supervisionando uma decapitação. Na coronha da sua espingarda está escrito o nome “Abuu Jafar”. Aparece novamente numa fotografia tirada na aldeia de Samuel Magaia, no dia 17 de Fevereiro, novamente supervisionando uma decapitação. O mesmo homem é visto numa fotografia tirada em 26 de Fevereiro na aldeia de Monothe. Ele está do lado de fora de uma igreja com o pé numa cruz e é flanqueado por três homens, dois dos quais exibem uma bandeira preta e branca do EI. Pouco se sabe sobre a liderança do EIM após o assassinato de Bonomade Machude Omar em Agosto de 2023. No entanto, o destaque deste homem nas reportagens fotográficas indica que ele ocupa uma posição de liderança. Não se sabe o cago que poderá ocupar. Também em Fevereiro, surgiram relatos de um líder com um nome semelhante, Abdullahi Janfar Nurdin, referido num relatório simplesmente como Janfar Nurdin. Segundo o jornal Redactor, ele é natural de Cabo Delgado e esteve no bloqueio de uma estrada em Macomia no dia 11 de Fevereiro.

Fotografias do distrito de Chiúre projectavam a ideologia jihadista do EI. Quase 50% mostraram a destruição de igrejas, “escolas cristãs” e cruzes. Seis fotografias eram de decapitações de “cristãos”, supervisionadas por “Abuu Jafar”. Em contraste, os dos distritos de Macomia e Mecufi projectavam poder militar. Das 51 fotografias da emboscada de 30 de Janeiro a uma patrulha conjunta das FADM/Força Local no distrito de Mecufi e do ataque de 9 de Fevereiro ao posto avançado de Mucojo, 22 retratam vítimas.

As imagens de Mucojo confirmam que uma força considerável e bem armada foi destacada para o local. Fontes locais disseram que até 150 combatentes estiveram envolvidos. Uma fotografia de combatentes em formação de marcha mostra dezenas. O EIM está certamente mais forte depois dos ataques. Fotos de armamentos apreendidos durante os dois incidentes mostram pelo menos 19 metralhadoras leves, 10 metralhadoras médias e uma metralhadora pesada. Pelo menos cinco lançadores de granadas também são vistos, bem como uma série de munições.

Capturar tais temas de forma tão clara em tão curto período de tempo indica que existe uma comunicação eficaz com o Gabinete de Comunicação Social do EI, que possui diretrizes claras para os tipos de imagens que pode utilizar. Isto também é visto no infográfico al-Naba, que apresenta detalhes de eventos que corresponderam de perto aos registros ACLED daquele período.

Finalmente, as imagens de Mucojo dão-nos uma ideia sobre as condições em que os militares de Moçambique operam. Parecem tão bem equipados, em armamento e trajes de batalha, quanto seus atacantes e igualmente dependentes de materiais recolhidos localmente para abrigo. Uma cama costeira típica amarrada com corda de coco é mostrada em um abrigo feito de uma porta de madeira removida. O que talvez tenha sido mais aparente foi a sua ausência no distrito de Chiúre, através do qual o EIM parecia circular livremente em Fevereiro.

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