Limpeza da Costa e Ilhas de Macomia

Dado que a costa de Macomia, entre Quiterajo a norte e Pangane a sul, se tornou o reduto do Estado Islâmico – Província de Moçambique (EIM), a sua limpeza tornou-se a prioridade do Estado. Uma política emergente de terra queimada, parece ser a resposta do Estado aos esforços do EIM, durante o último ano para estabelecer relações de apoio com as comunidades costeiras. A abordagem dura do governo afectará as relações comunitárias e, se não for devidamente gerida, poderá não conseguir derrotar o EIM.
12 Fevereiro, 2024

 Desde Fevereiro de 2023, pelo menos, o EIM tem feito um esforço considerável na construção de relações de apoio com as comunidades da região. Isto permitiu o estabelecimento de cadeias de abastecimento de bens básicos, muitas vezes por via marítima, e provavelmente dá acesso a informações sobre movimentos das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique (FDS) e das tropas da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique (SAMIM). Desde o ataque de 26 de Dezembro aos postos avançados das FADM nas aldeias de Mucojo e Pangane, as FDS têm estado sob pressão para ganhar o controlo da zona costeira de Macomia.

 O primeiro passo para o efeito foi a remoção dos residentes da zona. Falando em Maputo no Dia dos Heróis, o Presidente Filipe Nyusi referiu-se a “medidas operacionais imediatas” para “ocupar e consolidar posições estratégicas em Mucojo, Pangane e Quiterajo”. Segundo fontes, todos os residentes entre Quiterajo e Mucojo foram instruídos a partir, muitos deles rumando para Macomia, Ibo e Mieze. Isto é o oposto da abordagem de “corações e mentes” que foi adoptada pelo EIM e indica o nível de desconfiança entre as FDS e as comunidades na área. O assassinato de civis pelas FADM em Mucojo, em Janeiro, não contribuiu para melhorar as relações.

Restringir o movimento do EIM no mar também é uma prioridade. No evento do Dia dos Heróis, o Presidente Nyusi afirmou que as FDS querem “negar aos terroristas a penetração e mobilidade por mar, incluindo o seu reabastecimento a partir das ilhas adjacentes”. Isto provavelmente envolve patrulhas para interceptar navios, bem como operações em pequenas ilhas. Desde o início destas operações, têm circulado alegações persistentes de que as patrulhas marítimas têm como alvo civis no mar. Uma das primeiras foi publicada no boletim informativo semanal do EI, al-Naba, de 25 de Janeiro, que alegava assassinatos em Kero Niuni e outras ilhas, bem como afogamentos em Pangane. Na comunidade costeira de Macomia, os residentes queixaram-se de detenções e assassinatos nas últimas semanas. O tráfego marítimo ao longo da costa de Macomia, incluindo o transporte de mercadorias e pessoas, bem como a pesca, praticamente parou, segundo fontes locais. Qualquer que seja o seu resultado, é pouco provável que estas operações erradiquem a ameaça representada pelo EIM, empurrando-os, em vez disso, mais para sul. A longo prazo, as operações prolongadas na costa e nas ilhas de Macomia também correm o risco de perturbar a vida social e económica a um ponto que tornará a reconstrução das instituições estatais e civis um desafio.

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