Foco: Dispersão do EIM do Mucojo
Existem preocupações bem fundamentadas sobre o potencial de mortes de civis nestas operações. Falando à Rádio Moçambique no dia 11 de Fevereiro sobre as operações em Mucojo, o Administrador do Distrito de Macomia, Tomás Badae, afirmou que quaisquer civis encontrados na área seriam considerados colaboradores dos insurgentes. Ainda não se sabe quantas mortes de civis ocorreram, embora seja improvável que os armamentos montados em helicópteros sejam precisos.
A presença da aeronave Bat Hawk, que se pensa estar sob o controlo da Polícia da República de Moçambique, embora pilotada por um contratado, apresenta uma complicação adicional. A presença de um contratante, se não for conhecida por outros intervenientes na segurança, pode complicar as relações entre ramos das Forças de Defesa e Segurança se não for devidamente coordenada.
Para além destes problemas, as operações não conseguiram reduzir a capacidade do EIM de se dispersar quando confrontado com operações ofensivas. A chegada de um grupo de combatentes às ilhas de Quifuque e Tambuzi no dia 10 de Abril, e a sua posterior progressão em direcção ao rio Messalo indicam que a bacia do rio Messalo continua a ser um porto seguro para o EIM, dois anos e meio após a primeiras tentativas de as desalojar.
O progresso do EIM para o sul foi, em sua maior parte, imperturbado, com um grupo tendo tido tempo para parar e celebrar o Eid al-Fitr. No passado, o grupo pôde actuar com relativa liberdade nos distritos do sul da província. Em Novembro de 2022, o grupo varreu os distritos de Chiúre, Namuno, Balama e Montepuez, encontrando resistência apenas da milícia Naparama. Mais recentemente, em Fevereiro deste ano, o EIM realizou 13 ataques a civis durante 19 dias no distrito de Chiúre sem ser incomodado pelas FDS.
A única resistência encontrada pelos combatentes dispersos foi perto de Chai, onde a Força Local teve um combate relativamente bem-sucedido. A Força Local, inicialmente formada a nível comunitário antes de ser enquadrada nas FADM, está activa em Chai desde pelo menos Janeiro de 2021 e é vista pela Frelimo como sendo uma parte crítica da configuração de segurança pós-SAMIM, segundo fontes do Zitamar News.