Cabo Ligado Semanal: Resumo da Situação de 17-23 de Abril de 2023

Os insurgentes voltaram à sua estratégia de 'corações e mentes' na semana passada após o ataque a Miangalewa a 15 de Abril, mas a aparente falta de resposta a estes movimentos está a contribuir para uma crescente desconfiança em relação às autoridades do Estado, sobretudo nas zonas costeiras do distrito de Macomia.
27 Abril, 2023

Os insurgentes voltaram à sua estratégia de 'corações e mentes' na semana passada após o ataque a Miangalewa a 15 de Abril, mas a aparente falta de resposta a estes movimentos está a contribuir para uma crescente desconfiança em relação às autoridades do Estado, sobretudo nas zonas costeiras do distrito de Macomia.

Uma fonte informou que os insurgentes chegaram a pernoitar em algumas aldeias próximas de Quiterajo, distrito de Macomia, e na aldeia de Ntoni, alguns combatentes prepararam iftar para os aldeões durante a semana para quebrar o jejum do Ramadão. Convidar as pessoas para o iftar é uma prática muito utilizada na África Oriental para reforçar as relações entre indivíduos e grupos. As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) estacionadas em Mucojo raramente perseguem os insurgentes, disse a fonte – uma afirmação também relatada pelo Integrity a 24 de Abril.

Um grupo de cinco insurgentes apareceu em Nazimoja, cerca de 15 quilómetros a sul de Mocímboa da Praia, a 19 de Abril para comprar alimentos e distribuir dinheiro entre alguns dos locais, cerca de 250 Meticais (cerca de 4 dólares americanos) por pessoa, disse outra fonte ao Cabo Ligado. No dia seguinte, cerca de 30 insurgentes chegaram a Pangane, em Macomia, confraternizaram com os pescadores durante várias horas, e compraram alimentos para as celebrações do Eid al-Fitr, segundo o serviço noticioso online Carta de Moçambique.

Enquanto as pessoas em locais como Mucojo lamentam a falta de resposta das forças de segurança quando os insurgentes aparecem, aqueles que esperam para regressar ficam desanimados com a falta de ação. O administrador do distrito de Macomia, Tomás Badae, reuniu-se com deslocados no bairro de Nanga, na vila de Macomia, na semana passada, de acordo com a mesma publicação da Carta. Eles teriam pedido a ele que fizesse mais para garantir a segurança. Em resposta, ele disse-lhes para pedirem aos insurgentes que se rendessem quando aparecessem. A publicação da Carta indica que os insurgentes provavelmente têm relações com as comunidades da área, nomeando dois líderes activos da área como Muamudo Saha, ativo em torno de Mucojo, e Mussa Daniel, activo em Quiterajo.

É improvável que essa resposta atenue a desconfiança em relação às autoridades governamentais, que parece estar crescendo nas zonas da província afetadas pelo conflito. Carta também informou na semana passada sobre as tensões entre as Forças Locais e as FADM em Miangelewa, tendo as FADM pedido às Forças Locais que entregassem as suas armas. As relações entre as duas forças estão a deteriorar-se e, actualmente, realizam patrulhas e operações separadas devido à suspeita e desconfiança mútuas.

Em Nabaje, a cerca de 15 km a sul de Mocímboa da Praia, no litoral, um grupo que se dizia ter sido refém dos insurgentes conseguiu render-se entregar-se às autoridades a 19 de Abril. O grupo incluía 10 ou 11 mulheres e um homem, segundo uma fonte local. Foram inicialmente levados para as Forças de Defesa do Ruanda, que os acompanharam até à vila de Mocímboa da Praia. Desde o início do ano, têm-se registado avistamentos constantes de insurgentes na zona sul do distrito de Mocímboa da Praia.


Este artigo é excerto do Cabo Ligado Semanal, uma colaboração do Zitamar News, MediaFax e ACLED.

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